Por Ana Mano e Roberto Samora
SÃO PAULO, 7 Jan (Reuters) – A exportação de soja brasileira para a China deve cair cerca de 10 milhões de toneladas em 2026 em relação a 2025 devido à concorrência dos Estados Unidos, que no ano passado enfrentaram problemas para vender aos chineses por conta da disputa tarifária, avaliou nesta quarta-feira a Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec).
Em entrevista à Reuters, o diretor-geral da Anec, Sérgio Mendes, afirmou que a entidade que representa as principais tradings do setor projeta embarques de 77 milhões de toneladas da oleaginosa nacional para a China em 2026, contra 87 milhões de toneladas em 2025, quando a participação dos chineses na exportação brasileira atingiu patamares históricos, com o país sendo favorecido pela disputa tarifária iniciada por Donald Trump.
Mendes indicou que as vendas de soja dos EUA para a China, que aumentaram após uma trégua comercial entre Pequim e Washington, reduzirão a demanda pelo produto brasileiro no maior importador mundial da oleaginosa.
“Considerando a retomada do fornecimento de soja pelos Estados Unidos, o Brasil deverá manter os volumes de exportação observados nas últimas temporadas com no mínimo 70% desse total destinado à China. Em termos absolutos, isso representa um volume estimado de no mínimo 77 milhões de toneladas”, afirmou.
“Vale reforçar que 2025 configurou-se como um ano atípico, em função da imposição de tarifas pelos Estados Unidos e da consequente reorganização da demanda global. Esse cenário permanece como um ponto de atenção, uma vez que as tensões geopolíticas seguem em curso.”
Ele ponderou, contudo, que a maior disponibilidade de soja esperada para este ano no Brasil, “aliada à competitividade e à qualidade do produto brasileiro”, tende a ampliar a capacidade do país de conquistar participação na China frente a outros fornecedores.
O Brasil está iniciando a colheita de soja em 2026, e as indicações são de um novo recorde, com a safra sendo vista em torno de 177 milhões de toneladas. Para a estatal Conab, a produção cresceria mais de 3% ante o ciclo passado.
Ainda que a exportação para a China deva cair, os embarques totais de soja brasileira devem chegar a um novo recorde de 112 milhões de toneladas em 2026, de acordo com as novas projeções da Anec, divulgadas em primeira mão à Reuters.
Isso se compara a um recorde de cerca de 109 milhões de toneladas registrado em 2025 pelo maior produtor e exportador de soja, conforme números preliminares da Anec.
A exportação total crescerá apesar de um recuo nos embarques aos chineses, com o Brasil ampliando vendas para outros mercados importantes na Ásia e Europa, acrescentou Mendes.
Entre os principais destinos, destacam-se Espanha, Tailândia, Turquia, Irã, Paquistão, Vietnã, Taiwan e Holanda, entre outros, notou Mendes.
O dirigente disse que as exportações de soja do Brasil em 2025 ficaram um pouco abaixo da projeção de 110 milhões de toneladas, por chuvas que atrapalharam os embarques em dezembro. Mas o volume que deixou de ser exportado no mês passado ficará para janeiro, acrescentou.
A Anec também indicou um crescimento nas exportações de farelo de soja e milho do Brasil no novo ano.
No caso do farelo de soja, os embarques deverão somar 24 milhões de toneladas em 2026, versus cerca de 23 milhões de toneladas em 2025.
A exportação de milho ficaria em 44 milhões de toneladas em 2026, disse Mendes, contra aproximadamente 42 milhões em 2025, segundo uma previsão da semana passada.
O Brasil também é um dos maiores exportadores de milho e farelo de soja.
(Por Ana Mano e Roberto Samora)
Fonte: Reuters
