WASHINGTON (Reuters) – Os empregadores dos Estados Unidos ampliaram as contratações em abril enquanto aumentavam os salários dos trabalhadores, apontando para uma força sustentada do mercado de trabalho que pode levar o Federal Reserve a manter a taxa de juros mais alta por algum tempo.
A economia dos EUA abriu 253.000 postos de trabalho fora do setor agrícola no mês passado, mostrou o relatório de empregos do Departamento do Trabalho nesta sexta-feira.
Os dados de março foram revisados para baixo para mostrar criação de 165.000 empregos, em vez de 236.000 conforme relatado anteriormente.
Economistas consultados pela Reuters que 180.000 vagas seriam criadas. A abertura de vagas está bem acima da taxa mensal de 70.000 a 100.000 necessárias para acompanhar o crescimento da população em idade ativa.
A taxa de desemprego caiu para 3,4%, de 3,5% em março.
O salário médio por hora subiu 0,5%, após avançar 0,3% em março. Os salários aumentaram 4,4% na comparação anual em abril, após subirem 4,3% em março.
Outras medidas, como o Índice de Custo do Emprego e o rastreador salarial do Fed de Atlanta, também mostram impulso. O crescimento salarial continua forte demais para ser consistente com a meta de inflação de 2% do Federal Reserve.
O Fed elevou sua taxa básica de juros em mais 25 pontos-base na quarta-feira, para a faixa de 5,00% a 5,25%, e sinalizou que pode interromper a campanha de aperto monetário mais rápida do banco central dos EUA desde a década de 1980, embora tenha mantido um viés duro em relação à inflação.
O Fed aumentou sua taxa básica de juros em um total de 500 pontos-base desde março de 2022.
Alguns economistas, no entanto, acreditam que o mercado de trabalho está superestimando a saúde da economia, apontando para a divergência entre gastos do consumidor e ganhos de emprego, bem como um declínio contínuo na produtividade do trabalhador.
Os gastos do consumidor estagnaram em fevereiro e março. A produtividade caiu por cinco trimestres consecutivos na comparação anual, o período mais longo desde que o governo começou a acompanhar a série em 1948.
Economistas também observaram que o crescimento do emprego está se tornando mais concentrado no setor de lazer e hotelaria, bem como nos governos estaduais e locais, setores em que o emprego permanece abaixo dos níveis pré-pandemia.
Com os riscos de uma recessão aumentando devido aos custos punitivos dos empréstimos e condições de crédito mais rígidas em meio ao estresse do mercado financeiro, o cenário de contratações pode mudar rapidamente.
Por enquanto, o consenso geral é de que a economia continuará gerando empregos pelo menos até o quarto trimestre.
Inflação na zona do euro pode se manter acima da meta, mostra pesquisa do BCE
FRANKFURT (Reuters) – A inflação da zona do euro pode ser menor nos próximos anos do que o esperado anteriormente, mas pode ficar acima da meta de 2% do Banco Central Europeu, mostrou a Pesquisa de Analistas Profissionais do banco na sexta-feira.
O BCE elevou os juros em cada uma de suas últimas sete reuniões e prometeu ainda mais aperto para combater o crescimento descontrolado dos preços, com as autoridades cada vez mais preocupadas com o fato de que o aumento das pressões dos preços subjacentes poderia manter a inflação persistente nos próximos anos.
A pesquisa trimestral, uma informação importante nas deliberações de política monetária, agora estima a inflação em 2023 em 5,6%, abaixo dos 5,9% esperados três meses atrás, enquanto a projeção de 2024 foi reduzida para 2,6%, de 2,7%.
Mas a leitura para 2025, o último ano nas projeções do próprio BCE, subiu de 2,1% para 2,2% e o dado de “prazo mais longo”, que se refere a 2027, manteve-se em 2,1%.
As expectativas para a inflação subjacente foram elevadas apenas para 2023, no entanto, e todas as projeções futuras permaneceram inalteradas, incluindo a leitura de 2% no “longo prazo”.
Falando depois que o BCE elevou os juros em 25 pontos-base, para 3,25%, na quinta-feira, a presidente do BCE, Christine Lagarde, disse que mesmo que a maioria das medidas de expectativas de inflação de longo prazo esteja em torno de 2%, alguns indicadores subiram e justificam monitoramento contínuo.
A projeção de crescimento da pesquisa para 2023 foi elevada para 0,6%, mas permanece muito abaixo da expectativa de 1% do próprio BCE, enquanto a estimativa para 2024 foi reduzida de 1,4% para 1,2%, sugerindo um crescimento morno nos próximos anos.
Vendas no varejo da zona do euro caem mais que o esperado em março
FRANKFURT (Reuters) – As vendas no varejo na zona do euro caíram mais do que o esperado em março, disse a Eurostat nesta sexta-feira, uma vez que a inflação e o aumento das taxas de juros afetaram profundamente a renda disponível e limitaram o poder de compra das famílias.
O volume de vendas no varejo nos 20 países que usam o euro caiu 1,2% em março em relação ao mês anterior, superando a queda de 0,1% observada em uma pesquisa da Reuters com economistas.
O consumo tem sido fraco durante todo o ano, com a queda da renda real e as famílias gastando uma parte maior de sua renda em energia cara, corroendo a demanda por outros bens.
As taxas de juros mais altas também elevaram os custos do serviço da dívida e as famílias aumentaram suas economias, tanto por causa de taxas mais altas quanto por precaução, já que a economia do bloco está evitando uma recessão há vários trimestres.
As vendas de alimentos caíram 1,4% em relação ao mês anterior, mas as vendas de combustível para carros aumentaram 1,6%, em parte devido aos preços mais baixos no varejo.
Com uma queda de 2,4%, a Alemanha teve a queda mais acentuada entre os maiores países da zona do euro, enquanto a Letônia registrou a maior queda geral, de 2,7%.
Em comparação com o ano anterior, os volumes de vendas no varejo da zona do euro caíram 3,8% em março.
