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ARTIGO – Convite de uma velha senhora

Eram dias escuros, quase sem luz, caminhar era difícil, a visibilidade estava prejudicada pela escuridão que reinava.
Poucos se aventuravam a sair, havia muito medo de se tropeçar em algum objeto estranho, ou cair em um buraco e nunca mais voltar para o seus.
Além do medo da escuridão que cegava, havia também o medo de ser pego e jogado em uma cela, e apodrecer na umidade das masmorras sem ser réu, e sem direto de se defender, pois a escuridão também reinava nas cabeças dos homens que se auto proclamavam senhores de todas as virtudes, e se achavam no direito de acusar, prender, julgar e condenar aqueles que ousavam tentar enxergar na escuridão que reinava.
Os cidadãos mais simples, os esquecidos e desprezados pelo sistema, não se aventuravam a sair nas trevas, que imputavam crimes inexistentes em qualquer um que ousasse discordar dos todos poderosos de capas pretas, que não se importavam em deitar grilhões até em idosos septuagenários por algo que nunca aconteceu.
A escuridão reinava para a maioria, mas para os bem aventurados, e agraciados pelos todos poderosos de capas pretas, havia luz, uma luz invisível, que só eles enxergavam, e assim, se achavam melhores que a maioria, só eles diziam a verdade, só eles sabiam de tudo, só eles podiam fazer e falar de tudo, contra tudo e contra todos, pois tinham proteção.
Mas para a maioria, era a escuridão que imperava.
A escuridão proibia todos as visões que não concordassem com as trevas, era proibido enxergar o que se passava, era proibido falar do que se via, era proibido escrever o que se entendia, eram dias escuros.
Mas eis que em um determinado dia, se viu ao longe uma figura caminhando sozinha na escuridão que reinava, e todos se perguntavam quem seria louco suficiente para enfrentar a escuridão?
E então, viram que era uma velha senhora que caminhava sozinha, e gritava a plenos pulmões, venham, não tenham medo da escuridão, ela não existe, foi criada para por o medo nas pessoas.
A velha senhora caminhava, gritava e convidava a todos para acompanhá-la, pois sozinha ela não teria como vencer a escuridão, e o povo começou a sair de suas casas, e pouco a pouco, a velha senhora não estava mais sozinha, havia com ela uma multidão incontável, que perdera o medo das trevas.
A velha senhora sorria, e todos sorriam com ela.
Essa velha senhora, chama se democracia, que prega a liberdade, e que combate à escuridão.
A velha senhora, sempre sabe a hora de sair às ruas e chamar o povo, que também sabe reconhecer sua voz, e seu chamado.
E a velha senhora já saiu às ruas e está chamando.
Venham, venham, chegou a hora.

João Batista Olivi

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