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Coronel nega à CPI ter incitado golpe de Estado em mensagens para braço direito de Bolsonaro

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Foto: Agência Senado

(Terra) – O coronel Jean Lawand Júnior negou nesta terça-feira que mensagens trocadas com o ajudante de ordens do então presidente Jair Bolsonaro tivessem a intenção de incitar um golpe de Estado após a vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva nas eleições do ano passado.

Em depoimento à CPI mista dos atos de 8 de janeiro, Lawand insistiu que as mensagens trocadas com Mauro Cid, então braço direito de Bolsonaro, tinham caráter privado.

“Afirmo aos senhores que em nenhum momento eu falei sobre golpe, em nenhum momento atentei contra a democracia brasileira, em nenhum momento eu quis quebrar, destituir, agredir qualquer uma das instituições”, disse o coronel a parlamentares da comissão.

“O mais importante, e eu preciso que vossas excelências considerem isto, é a minha essência; é aquilo que eu fiz a minha vida toda, como um pai de família, como um bom militar, como aquele que quer o bem do Brasil.”

Em mensagens trocadas com Cid obtidas pela Polícia Federal, Lawand sugere que Bolsonaro “dê a ordem que o povo tá com ele”. Ele também afirma: “Se a cúpula do Exército Brasileiro não está com ele, de divisão para baixo, está”.

Questionado pela relatora da CPI mista, senadora Eliziane Gama (PSD-MA), sobre a que “ordem” se referia nas mensagens, o coronel disse ter sido “infeliz” na afirmação e sustentou que teria como intenção arrefecer o clima exaltado do país.

“Não. O que eu quis dizer é que qualquer ordem que fosse dada pelo presidente Bolsonaro para apaziguar o país, como eu falei para senhora — e essa era a minha intenção –, o Exército brasileiro cumpriria.”

“Essa colocação minha foi muito infeliz. Eu sou um simples coronel conversando num grupo de WhatsApp com um amigo. Não tinha comandamento, não tinha condições, não tinha motivação pra qualquer tipo de golpe”, acrescentou.

A versão apresentada à CPI mista foi vista como incoerente por muitos dos parlamentares, tanto da situação como da oposição.

O senador Marcos Rogério (PL-RO), aguerrido aliado de Bolsonaro durante sua gestão, qualificou o depoimento de Lawand como uma “tentativa de construir uma narrativa que não confere com a verdade”.

“Eu não sei quem o orientou, mas, de verdade, o senhor não convence ninguém. O senhor apequena a sua história, atrofia o sucesso da sua carreira e tenta impor uma narrativa que não para de pé ao menor esforço”, disse Marcos Rogério.

O coronel compareceu à CPI mista nesta terça-feira munido de um habeas corpus que o autorizava a ficar em silêncio, caso quisesse.

Antes da divulgação das mensagens, a previsão era que Lawand fosse enviado para uma missão diplomática nos Estados Unidos prevista para ocorrer no início do próximo ano, para a qual havia sido selecionado, por mérito, ainda em 2020. O comandante do Exército, Tomás Paiva, determinou que Lawand não participe mais da missão.

O militar permanecerá no Brasil e vai prestar esclarecimentos sobre as mensagens, informou a assessoria do Exército. Lawand Junior serve atualmente no Escritório de Projetos Estratégicos do Estado-Maior do Exército.

A assessoria de comunicação do Exército informou nesta terça que “não houve uma orientação específica do Exército Brasileiro a respeito do traje com o qual o coronel Jean Lawand Jr. deveria comparecer à Comissão”. O militar vestiu terno em seu depoimento ao colegiado.

O presidente da CPI mista, Arthur Oliveira Maia (União-BA) afirmou que Cid deve ir à comissão na próxima terça-feira. O ex-auxiliar de Bolsonaro também obteve um habeas corpus para o depoimento.

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