Os mercados financeiros estão em atenção com a cúpula entre Donald Trump e Xi Jinping, onde se espera discutir questões comerciais críticas.Presidente do maior parceiro comercial do Brasil chega hoje aos EUA; possível acordo entre os dois líderes pode alterar rotas de exportação e impactar preços da soja brasileira
O presidente chines Xi Jinping desembarca nos Estados Unidos, quase dez anos depois de sua última visita. Entre temas como terras raras, inteligência artificial, minerais críticos… o encontro com Donald Trump coloca também o agronegócio, e principalmente a soja, entre temas na mesa de negociações.
O que for decidido essa semana terá o poder de redesenhar rotas de exportação, mexer com os preços nas bolsas internacionais e redefinir a participação da produção brasileira no comércio da oleaginosa.
O maior parceiro comercial do Brasil chega mais forte a esse novo encontro em solo norte-americano. Aumentar as compras de grãos pode ser a moeda de troca para a China que quer previsibilidade na relação econômica e um compromisso político mais sólido de Trump.
Ao criar barreiras comerciais para a China, Trump desagradou os agricultores norte-americanos que dependem do país asiático como cliente. Os produtos agrícolas representam uma fatia expressiva das exportações para o mercado chinês, antes da guerra comercial se acirrar, com faturamento de US$ 29 bilhões em 2024.
Há exatos dez anos, a China comprava a soja brasileira e norte-americana em proporções praticamente iguais, 50% de cada. A relação começou a mudar durante o primeiro governo de Donald Trump. Com as retaliações comerciais os chineses passaram a olhar e adquirir mais soja brasileira.
Das quase 180 milhões de toneladas de soja produzidas pelo Brasil em 2025, cerca de 80 milhões de toneladas foram para a China, segundo dados da Abiove (Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais).
Dados divulgados pela Administração Geral de Alfândegas Chinesa mostram que, no acumulado de janeiro a agosto desse ano, as importações de soja dos EUA despencaram 34%. Enquanto as vendas de soja do Brasil cresceram 5% no mesmo período, alcançando 55,14 milhões de toneladas.
Existe um compromisso da China de importar 25 milhões de toneladas soja norte-americana por ano, até 2028. Entre janeiro e agosto os chineses compraram cerca de 12 milhões de toneladas e, com o avanço da colheita norte-americana, os embarques tendem a ganhar força na reta final do ano.
Fonte: agrolink
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