Tecnologias de correção reduzem erros de posicionamento das máquinas e permitem repetir trajetos em plantio, pulverização e colheita
Saber onde uma máquina agrícola está com precisão de centímetros está ganhando importância à medida que o campo incorpora piloto automático, aplicação localizada, tráfego controlado e, mais recentemente, máquinas autônomas. Enquanto o posicionamento convencional por satélite está sujeito a erros que podem chegar à casa dos metros, tecnologias de correção conseguem reduzir essa margem para poucos centímetros.
Entre as tecnologias disponíveis está o CenterPoint RTX, da PTx Trimble, que pode alcançar precisão horizontal inferior a 2,5 centímetros*, com repetibilidade entre as operações, sem a necessidade de uma estação-base instalada na propriedade. A tecnologia recebe as correções por satélite ou internet e pode ser utilizada em atividades como plantio, pulverização, distribuição de insumos e outras operações que exigem precisão.
Na prática, a diferença entre metros e centímetros pode representar passadas sobrepostas ou espaços não trabalhados pela máquina. Ao permitir que o equipamento siga trajetórias mais precisas, os sinais de correção contribuem para reduzir sobreposições e falhas, melhorar o aproveitamento de sementes, fertilizantes e defensivos, diminuir deslocamentos desnecessários e aumentar a qualidade e a repetibilidade das operações.
“A informação de posicionamento está na base da agricultura de precisão. Quanto mais precisa ela é, maior é a capacidade de executar uma operação exatamente no local planejado e voltar àquele mesmo ponto quando necessário”, afirma Rosiéli Mika Bonette, Gerente de Marketing de Produto da PTx Trimble na América Latina.
Como o GPS passa de metros para centímetros
Ao receberem os sinais dos sistemas globais de navegação por satélite, conhecidos pela sigla GNSS, os receptores calculam a localização de um equipamento a partir do tempo que os sinais levam para viajar dos satélites até o receptor. Essa informação, porém, está sujeita a interferências provocadas por fatores atmosféricos, orbitais e pelos próprios relógios utilizados no sistema.
É nesse ponto que entram os sinais de correção. Estações de referência ou modelos globais comparam a posição calculada pelos satélites com referências conhecidas, identificam os erros e enviam informações adicionais ao receptor da máquina para compensá-los em tempo real. O sinal original do satélite não é alterado: o receptor recebe dados adicionais que permitem recalcular sua posição com maior precisão.
Na prática, existem diferentes níveis de correção, de acordo com a necessidade da operação. No portfólio da PTx, por exemplo, o RangePoint RTX é entregue via satélite e trabalha com precisão de aproximadamente 15 centímetros passada a passada, voltada a atividades que não exigem repetibilidade entre safras e dispensa estação-base local. O CenterPoint RTX chega à precisão centimétrica e também não precisa de estação-base local. Já o RTK (Real-Time Kinematic) utiliza uma base instalada localmente e também pode atingir precisão horizontal na faixa de 2,5 centímetros, dependendo da distância entre o receptor e a estação.
Outra evolução está na quantidade de constelações de satélites utilizadas para determinar a posição. Comparando um receptor duo constelação com um receptor multi, temos 2,5 vezes mais satélites, o que representa um aumento de 150%. Os receptores GNSS da PTx trabalham com GPS, BeiDou, GLONASS e Galileo entregando uma maior disponibilidade de sinal, melhor desempenho em áreas com obstruções entre outros benefícios
No Brasil, essa capacidade ganha relevância também por causa da cintilação ionosférica, fenômeno natural que pode causar interferências e instabilidade nos sinais de satélite. Segundo a PTx, evoluções como o IonoGuard foram desenvolvidas para aumentar a resiliência dos receptores a essas interferências, enquanto o ProPoint reduziu o tempo necessário para a convergência do sinal para poucos minutos.
Tecnologia amplamente utilizada em operações brasileiras
A aplicação da precisão centimétrica aparece em operações agrícolas de grande escala no país. A Usina Santa Lúcia, do setor sucroenergético, é um dos casos brasileiros de utilização do CenterPoint RTX no plantio de cana-de-açúcar. Segundo a empresa, a operação alcançou precisão de 2,5 centímetros, com capacidade de repetição do posicionamento ao longo das operações. A Usina Delta também é usuária da tecnologia, e registra ganhos de produtividade no plantio, reduzindo horas paradas devido à cintilação, com precisão e repetibilidade garantida.
Os benefícios da repetibilidade estão relacionados aos benefícios do tráfego controlado, ou seja, só é possível voltar no mesmo rastro com tecnologias de repetibilidade garantida ao longo dos anos. O tráfego controlado é uma prática amplamente usada pelas usinas e estudos mostram ganhos em termos de produtividade e longevidade do canavial.
A importância do posicionamento tende a aumentar conforme as máquinas passam a executar determinadas tarefas de forma automatizada, realizando não somente a operação no local planejado, mas também contribuindo com a segurança de pessoas e equipamentos no entorno. Nessa transformação ampla da agricultura de precisão, tecnologias podem ser utilizadas em frotas mistas, independentemente da marca das máquinas, tanto por retrofit de equipamentos já em operação quanto integradas a máquinas novas.
“À medida que avançamos para operações mais automatizadas, a correção passa a ser uma das informações fundamentais para que diferentes tecnologias saibam onde executar cada tarefa no campo. É essa combinação entre posicionamento, automação e dados que abre caminho para a próxima etapa da agricultura de precisão”, conclui Rosiéli.
Precisão horizontal 2D com 95% de confiabilidade, baseada em medições repetidas em campo. O CenterPoint RTX atinge a precisão máxima em menos de 5 minutos em todo o mundo e em menos de 2 minutos em regiões selecionadas das Américas e da Europa. A precisão alcançável e o tempo de inicialização podem variar de acordo com o tipo e a capacidade do receptor e da antena, a localização geográfica do usuário e a atividade atmosférica, os níveis de cintilação, a integridade e a disponibilidade da constelação GNSS, bem como o nível de multicaminho (multipath), incluindo obstruções como grandes árvores e edifícios.








