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EDITORIAL – Cabresteando mágoas

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Cabresteando mágoas                                                                                   Esta é uma expressão gaúcha, trecho de uma canção composta pelos gaúchos Vaine Darde e Gaúcho da Fronteira, cujo título é “Herdeiro da Pampa Pobre”. E é exatamente assim que estão se sentindo nossos irmãos gaúchos, “de pés descalços, cabresteando mágoas”, sem o devido apoio das autoridades públicas eleitas pelos votos dos que, neste momento, estão sofrendo no Rio Grande.
A tragédia climática, o excesso de chuvas que destruiu o estado gaúcho, teve início em 29 de Abril, e atingiu 458 municípios.
E até agora nenhum plano de recuperação minimamente palpável foi apresentado pelos governos do Estado e da União. Muito de alardeia, pouco se faz, na prática.
Os estragos são de proporções quase inimagináveis, e as contas dos prejuízos, alarmantes.
É realmente muito difícil contabilizar os prejuízos de ordem material. Mas para as pessoas, nossos irmãos gaúchos, os estragos podem ser irreversíveis do ponto de vista psicológico, humano.
No tocante a isso, não há como mensurar. É impossível imaginar o estado de espírito dos que foram afetados por tamanha tragédia, que pôs todos, ricos e pobres, na mesma situação de desespero e desamparo.
Desamparo vindo das chamadas autoridades, que, de tempos em tempos, percorrem, sorridentes, fazendo promessas e pedindo votos.
A recuperação material certamente será muito difícil, mas as demonstrações de empatia, de solidariedade, a capacidade de demonstrar preocupação com o semelhante, é uma obrigação, é um dever humano, e até agora, um gesto de humanidade tão simples não parece motivar as autoridades.
Ninguém ouviu como deverá ser a recuperação da infra-estrutura viária, que é fundamental para a chegada de víveres e medicamentos, necessários para cuidados com a saúde dos atingidos por esse flagelo, tanto ricos como pobres.
Do governo estadual, que deveria estar na linha de frente desta guerra, estranhamente pouco se ouve, haja vista que foi até nomeado uma espécie de interventor, um governador substituto para cuidar da recuperação do estado.
O governo federal por sua vez, parece preocupado com outras questões, como aumentar impostos para cobrir rombos nas contas públicas, e gastar 7,2 bilhões de Reais com importação desnecessária de arroz (*), prejudicando ainda mais o produtor gaúcho, sendo que estes valores poderiam ser gastos na recuperação do estado, que deveria ser prioridade, mas parece que não é.
É lamentável, é desumano.
Enquanto isso, os nossos irmãos gaúchos vão tentando se recuperar sozinhos, contando com a solidariedade de brasileiros comuns, que não tem posições de destaque, mas tem corações, tem almas, são humanos.
Nossos irmãos gaúchos estão sozinhos, sem ajuda, sem apoio, e sem sequer palavras de conforto, que nestes momentos são importantes também.
Nossos irmãos gaúchos estão como diz a canção, “de pés descalços, cabresteando mágoas”.
(*) – Ao final da noite de ontem, juiz-substituto da Justiça Federal do RS havia suspendido, através de liminar, a importação do arroz estrangeiro. Hoje, pela manhã, porém, a decisão liminar perdeu efeito, derrubada por decisão de um juiz titular, a pedido da Procuradoria Geral da Republica. Portanto, até o momento, permanece o desejo do Governo de manter a importação de 1 milhão de toneladas, mesmo contra a evidência de haver arroz em estoque suficiente para abastecer a população.

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