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Petrobras anuncia nova política de preços; abandona paridade de importação e mira o custo de oportunidade

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SÃO PAULO (Reuters) – A Petrobras anunciou nesta terça-feira sua nova estratégia comercial para o diesel e a gasolina, abandonando a paridade de importação (PPI) como base principal para os reajustes e passando a aplicar premissas que miram um “equilíbrio” entre os mercados nacional e internacional.

As ações da companhia abriram em alta de cerca de 3%, apesar de críticas de alguns especialistas e integrantes do setor, de que o fato relevante da Petrobras sobre o assunto deixa a estratégia pouco clara, o que aumenta o risco para importadores e outros agentes que atuam no mercado brasileiro.

A estatal disse no comunicado que a nova estratégia prioriza o “custo alternativo do cliente”, além de um valor marginal para a Petrobras.

“O custo alternativo do cliente contempla as principais alternativas de suprimento, sejam fornecedores dos mesmos produtos ou de produtos substitutos, já o valor marginal para a Petrobras é baseado no custo de oportunidade dadas as diversas alternativas para a companhia dentre elas, produção, importação e exportação do referido produto e/ou dos petróleos utilizados no refino”, explicou.

Fontes haviam indicado à Reuters que a nova política seria divulgada nesta terça-feira e manteria o preço internacional como uma “importante referência”, mas não “o de paridade de importação”.

Segundo a Petrobras, a premissa de preços competitivos por polo de venda, em equilíbrio com os mercados nacional e internacional, permitirá à empresa “competir de forma mais eficiente”, se valendo de suas melhores condições de produção e logística e disputando mercado com outros atores que comercializam combustíveis no Brasil, como distribuidores e importadores.

Os reajustes de preços da gasolina e diesel continuarão sendo feitos sem periodicidade definida e evitando repasse da volatilidade aos preços, disse a estatal.

A empresa afirmou ainda que a nova política garantirá preços em patamar que permitem a realização de investimentos de seu planejamento estratégico.

POUCA TRANSPARÊNCIA

“Já li duas vezes esse fato relevante da Petrobras e realmente a gente não sabe exatamente o que ela vai fazer…”, disse o presidente da Associação Brasileira de Importadores de Combustíveis (Abicom), Sergio Araujo.

“Vamos aguardar a primeira movimentação, acho que essa semana ela deve anunciar uma redução de preços, até porque os preços estão realmente acima do mercado internacional, existe espaço para redução, vamos aguardar para ver”, acrescentou.

Ele disse ainda que o texto é “confuso” e ficou “difícil ter uma referência”.

“Quando ela fala que vai considerar melhor alternativa do cliente, vai considerar competitividade do produto, margem por refinaria, acho que está muito confuso, vamos aguardar para que a gente possa fazer uma análise e comentar.”

Segundo Paulo Valois, sócio do Schmidt Valois Advogados, “apesar das novas regras não estarem totalmente claras, parece que a Petrobras caminha para uma política mais discricionária de precificação do preço de refino dos combustíveis, que não estará necessariamente ao seu preço no mercado internacional”.

Segundo ele, isso poderá gerar ganhos ou perdas maiores para a companhia “em função de eventuais disparidades”.

O especialista em energia Adriano Pires, do CBIE, também concordou que o “anúncio feito pela Petrobras da nova política de preços é muito confuso”.

“Não dá para entender de forma clara como serão feitos os reajustes futuros. O fato relevante no fundo é só blá-blá-blá. A única coisa que dá para afirmar é que acabou a transparência na determinação dos preços na refinaria”, disse.

Ele disse também que, quanto mais elemento se usa para determinar o preço dos combustíveis, “menos transparência teremos e mais risco para o privado importar”.

“Aumentou o risco para todos os agentes que atuam no mercado de combustíveis.”

Petrobras divulgará nova política de preços, não se prenderá a paridade, dizem fontes

RIO DE JANEIRO (Reuters) – A Petrobras divulgou sua nova política de preços de combustíveis nesta terça-feira e a paridade de importação (PPI) não será a base dos critérios para a companhia realizar reajustes na gasolina e no diesel, disseram à Reuters duas fontes com conhecimento do assunto.

Uma das fontes falou que, na nova política, o preço internacional seguirá sendo “importante referência”, mas não “o de paridade de importação”.

A informação está em linha com informação divulgada pela CNN Brasil, que noticiou na noite de segunda-feira que a Petrobras deve encerrar a política de preços baseada na paridade de importação, citando duas fontes com conhecimento do assunto. A emissora disse ainda que um comunicado com a informação vai ser divulgado nesta terça.

No domingo, a Petrobras informou em um comunicado que estava discutindo internamente alterações em suas políticas de preço para diesel e gasolina. Na semana passada, em teleconferência de resultados, a direção da companhia disse que haveria um anúncio nesta semana sobre o assunto.

A fonte disse que a nova política de preços deverá prever mais estabilidade e espaçamento entre os reajustes.

“A Petrobras tem condições operacionais que permitem amortecer oscilações especulativas ou eventuais durante períodos sem afetar sua rentabilidade na média”, afirmou uma das fontes na condição de anonimato.

Questionada sobre a periodicidade dos reajustes, a fonte evitou entrar em detalhes, mas disse que o objetivo é “mitigar ao máximo a volatilidade”.

Questionada se o PPI vai acabar, a fonte disse que a paridade internacional não será a única e obrigatória referência.

“Porque o preço de uma empresa não pode ser montado obrigando-se a praticar o preço do seu concorrente que tem condições piores que a sua”, continuou, em linha com a que a nova direção da empresa tem afirmado que fará.

 

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