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PF apreende celular de Bolsonaro e detém 3 de seus assessores em inquérito sobre dados falsos de vacinação

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BRASÍLIA/RIO DE JANEIRO, 3 Mai (Reuters) – A Polícia Federal apreendeu o celular do ex-presidente Jair Bolsonaro e deteve três de seus auxiliares próximos nesta quarta-feira como parte de uma operação que investiga a inserção de informações falsas sobre vacinação de Covid-19 no banco de dados oficial do Ministério da Saúde.

Segundo uma fonte com conhecimento da investigação, a PF apura a existência de um registro de vacinação contra Covid supostamente fraudulento feito em nome de Bolsonaro em 21 de dezembro do ano passado, dias antes de o ex-presidente se dirigir ao seu autoexílio nos Estados Unidos.

A inserção da imunização, feita no sistema da cidade de Duque de Caxias, na baixada fluminense, foi retirada em 27 de dezembro, ainda segundo a fonte. Os registros foram descobertos em mensagens do ex-ajudante de ordens de Bolsonaro, tenente-coronel Mauro Cid, que teve sigilo quebrado no ano passado em outra investigação envolvendo o ex-presidente.

Mauro Cid foi um dos assessores de Bolsonaro presos e prestava depoimento na sede da PF em Brasília nesta quarta-feira. A polícia deteve ainda Max Guilherme e Sergio Cordeiro, seguranças que continuam a serviço de Bolsonaro como parte do staff a que os ex-presidentes têm direito por lei, e viajaram aos Estados Unidos antes do fim do mandato de Bolsonaro em dezembro, de acordo com fontes com conhecimento da operação.

O ex-presidente negou nesta quarta-feira que tenha adulterado seu cartão de vacinação e reiterou que não se vacinou contra a Covid-19 — ele fez campanha contra a vacina no auge da pandemia –, declarando-se surpreso com o cumprimento de mandado de busca e apreensão em sua casa em Brasília.

“Eu realmente fico surpreso com a busca e apreensão por este motivo… Nunca me foi pedido cartão de vacina em lugar nenhum. Não existe adulteração da minha parte. Eu não tomei a vacina e ponto final”, disse Bolsonaro a jornalistas em frente à sua casa na capital federal após a saída da PF do local.

Bolsonaro teria que prestar depoimento ainda nesta quarta-feira à PF em Brasília, mas seus advogados pediram o adiamento da oitiva, de acordo com uma fonte.

O ex-presidente deixou sua casa em Brasília para se reunir com aliados e integrantes da defesa na sede do seu partido, o PL. No local, Bolsonaro repetiu que não mandou adulterar registros e afirmou que não precisava da vacina para entrar nos EUA, segundo uma outra fonte que presenciou a conversa.

Aos jornalistas mais cedo, Bolsonaro disse que os agentes da PF apreenderam seu celular. “O meu celular foi levado… foi apreendido. O meu telefone não tem senha. Não tenho nada a esconder sobre nada, não é cartão apenas”, afirmou.

Segundo o ex-mandatário, a PF chegou a verificar o celular da ex-primeira-dama Michelle, mas não apreendeu o aparelho.

“Apenas o celular do meu marido foi apreendido. Ficamos sabendo pela imprensa que o motivo seria ´falsificação de cartão de vacina´ do meu marido e de nossa filha Laura. Na minha casa, apenas eu fui vacinada”, afirmou Michelle no Twitter.

A operação ainda prendeu mais três pessoas: o atual secretário de Governo da prefeitura de Duque de Caxias, João Carlos de Sousa Brecha; um sargento que atuava na Ajudância de Ordens para Bolsonaro; e um terceiro integrante da equipe de segurança do ex-presidente, de acordo com uma fonte com conhecimento dos mandados.

As ações foram cumpridas no âmbito do inquérito das milícias digitais, e autorizadas pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).

Em comunicado sobre a operação, que não menciona os nomes dos suspeitos, a PF informou que foram expedidos 16 mandados de busca e apreensão e seis mandados de prisão preventiva em Brasília e no Rio de Janeiro.

O deputado Gutemberg Reis (MDB-RJ), irmão do ex-prefeito de Duque de Caxias Washington Reis, foi alvo de um dos mandados de busca e apreensão. Em nota, a assessoria do parlamentar disse que o deputado “colaborou integralmente com os agentes da Polícia Federal” e que ainda está se inteirando de detalhes da investigação.

BURLA ÀS RESTRIÇÕES

Segundo comunicado da PF, a operação “Venire” busca esclarecer a atuação de associação criminosa constituída para a prática dos crimes de inserção de dados falsos de vacinação contra a Covid-19 nos sistemas do Ministério da Saúde.

As inserções falsas ocorreram, segundo a PF, entre novembro de 2021 e dezembro de 2022, e provocaram “alteração da verdade” sobre a condição de imunizado contra a Covid-19 dos beneficiários com vistas a “burlar as restrições sanitárias vigentes impostas pelos poderes públicos (Brasil e Estados Unidos)”.

Não foi possível até o momento contactar Mauro Cid, Max Guilherme, Sergio Cordeiro e Brecha, ou seus representantes legais.

De acordo com a PF, os envolvidos podem ser acusados dos crimes de infração de medida sanitária preventiva, associação criminosa, inserção de dados falsos em sistemas de informação e corrupção de menores.

Em dezembro de 2022, depois de perder a eleição para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Bolsonaro viajou para os Estados Unidos, onde ficou por três meses. O país exige até o momento o certificado de vacinação contra Covid para entrada em seu território — a medida será suspensa no dia 11 deste mês.

“Como será que os Estados Unidos vão receber a notícia de que o ex-presidente da República fraudou documentos para desrespeitar as leis americanas? Haja trabalho para recuperar o estrago diplomático que Bolsonaro deixou”, escreveu no Twitter o ministro da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República, Paulo Pimenta.

Durante a pandemia de Covid-19, doença que matou mais de 700 mil pessoas no Brasil, Bolsonaro por diversas vezes divulgou informações falsas sobre vacinas e questionou, sem apresentar provas, a eficácia dos imunizantes. Ele repetiu diversas vezes que não se vacinaria contra a doença.

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