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Preços do açúcar bruto sobem com oferta ainda apertada; café também avança

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NOVA YORK/LONDRES (Reuters) – Os contratos futuros de açúcar bruto na ICE fecharam em alta de 3% nesta sexta-feira, voltando às máximas de vários anos da semana passada com a oferta ainda apertada no curto prazo, enquanto o café e o cacau também subiram.

AÇÚCAR

* O contrato julho do açúcar bruto fechou em alta de 0,8 centavos, ou 3,1%, a 26,32 centavos de dólar por libra-peso, tendo atingido um pico de 11 anos e meio na semana passada. O contrato perdeu 2,5% na semana.

* Operadores disseram que uma correção observada desde as máximas da semana passada parece ter terminado, com interesse de compra abaixo de 25 centavos.

* Eles esperam que o mercado permaneça firme no curto prazo devido à escassez de oferta na Índia, Tailândia, China e União Européia.

* A produção na região centro-sul do Brasil, maior produtora do país, deve crescer 13% em relação ao ano anterior, para 38,3 milhões de toneladas na próxima temporada, perto de níveis recordes, disse a consultoria Datagro.

* No entanto, as traders Sucden e Dreyfus veem limitações na capacidade de exportação do Brasil este ano.

* O açúcar branco agosto subiu 17,90 dólares, ou 2,6%, para 715,70 dólares a tonelada. Ele ganhou 0,6% na semana.

CAFÉ

* O café arábica julho avançou 5,1 centavos, ou 2,8%, a 1,8805 dólares por libra, tendo atingido uma mínima de 3 semanas e meia na quinta-feira. Ele ganhou 1,1% na semana.

* A oferta de arábica continua apertada, já que a colheita do Brasil está apenas começando. Além disso, os comerciantes dizem que os agricultores estão encontrando grãos no chão após as fortes chuvas do mês passado.

* De outro lado dos fundamentos, há preocupações crescentes com a demanda de café, devido aos ventos macroeconômicos contrários.

* O café robusta julho subiu 59 dólares, ou 2,4%, para 2.471 dólares a tonelada, tendo atingido máxima em 12 anos na semana passada. Ele ganhou 3% na semana.

Mercado de açúcar: “animal em extinção”, por Arnaldo Luiz Correa, da Archer

Recente relatório publicado pela Organização das Nações Unidas alertou que o urso polar está entre os animais com maior risco de extinção. Se algum agente da ONU tivesse atendido ao Sugar Dinner na semana passada aqui em NY, teria descoberto que uma outra espécie de urso também corre o risco de desaparecer. Nāo existe mais nenhum baixista no mercado de açúcar. Sumiram todos ou estão hibernando. Como diria um grande trader que eu tive o privilégio de conhecer no passado, “quando tudo parece altista, isso é um sinal de que o mercado pode ir pra baixo”. 

A lógica deste brilhante trader (que partiu dessa para outra esfera) era de que quando todas as notícias altistas estão refletidas no preço, qualquer pequena variação na expectativa dos participantes pode mudar o humor do mercado. Por exemplo, se o clima for melhor do que o esperado (El Niño) ou se não houver interrupção na moagem do Centro-Sul além da média normal, o mercado pode realizar um pouco. 

Os fundos reduziram ligeiramente suas posições compradas, mas nada que mude a visão dos participantes. Todo mundo está altista como se não houvesse amanhã. Pelo menos é reconfortante saber que muitas usinas estão aproveitando o mercado e fixando preços em reais por tonelada ou fazendo estruturas com opções que adicionam valor na alta, acima do pico do mercado. Para maio, vi usinas conseguindo fixar até 150 pontos acima das máximas com essas estruturas. Tudo tem seu risco, óbvio. Nesse caso o risco era de o mercado cair e não ter nenhuma fixação. O objetivo é aproveitar o clima de euforia e o apetite dos compradores. Nenhum mercado sobe indefinidamente.  

O fato irrefutável é que o açúcar anda na contramão do mercado de energia, por mais paradoxo que possa parecer. A sustentação do mercado – que recuperou a perda do início da semana nesta sexta-feira – vem dos fundos e das compras acionadas por sistemas de computadores e algoritmos, que não estão nem aí para os fundamentos. Compete a nós, (pobres) humanos, inserir uma narrativa fundamentalista para justifique esse comportamento irracional. 

A compra de açúcar por parte dos chineses quando o mercado realizou no início da semana passada, acabou dando suporte ao discurso altista. Se a China está comprando isso quer dizer que vai faltar açúcar! E ponto final. 

O mercado pode subir mais, claro. Vai subir até o ponto em que aqueles que precisam se cobrir, seja no físico ou nos futuros, estanquem o sangramento. É assim que funciona. Apesar do recente estresse no fluxo de caixa dos vendidos, não se ouviu nem se viu ninguém estrebuchando na calçada. Pelo menos por enquanto. 

Temos que ficar de olho em alguns aspectos que podem representar maior solidez e consequentemente preços mais robustos: a) o clima no Centro-Sul; b) a recuperação do mercado de energia; c) o fortalecimento do basis; d) a volatilidade das calls (opções de compra). Eventual piora do item a) e substancial melhora dos demais itens são carimbo no passaporte para o infinito e além que falamos há algumas semanas. Caso contrário, prepare-se para uma retração. 

Para colocar em perspectiva, no acumulado do ano, o açúcar se valorizou 32%, só perdendo para o suco de laranja com 33%. Na outra ponta, o gás natural, o diesel e o petróleo experimentaram uma queda de 53%, 30% e 12%, respectivamente.  Nos últimos 12 meses, o açúcar ganhou 41%, enquanto  gás natural, diesel e petróleo desabaram 76%, 42% e 32%, respectivamente. 

Há muitos anos que não vou ao jantar de Gala que não tem mais o glamour de muitos anos quando as festas nas suítes do Waldorf Astoria eram o ponto alto da semana. Ali, as conversas o os negócios fluíam e varavam a noite quando voltávamos cambaleando para o hotel com o smoking impregnado pelo cheiro da fumaça dos charutos (sim, charutos eram acessório obrigatório naqueles tempos). Parece que a única coisa que não mudou foi o cardápio e o serviço. Disse-me um veterano irritado que este ano foi o pior de todos os tempos, pela comida, pelo serviço e pelo discurso de menos de 5 minutos. Imagine se o mercado não tivesse nas alturas…..

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Bom final de semana para todos e bom retorno para quem está voltando para o Brasil.

Arnaldo L. Corrêa
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