A queda de 8,6% na receita das exportações de café brasileiro, que gerou uma perda cambial acumulada de US$ 952 milhões até setembro, fez com que exportadores e associações do setor passassem a cobrar ações diretas e urgentes do governo federal
. Esse cenário de retração financeira ocorre em meio a um forte paradoxo, já que o país caminha para uma safra recorde em volume físico embarcado, mas sofre com o encolhimento do faturamento devido à queda no preço médio da saca, que despencou de US$ 422,33 em janeiro para US$ 350,95 em setembro
. Essa desvalorização foi impulsionada pelas chuvas que prejudicaram a qualidade do grão arábica e por um avanço expressivo nos embarques de café robusta e conilon, que possuem menor valor de mercado. Diante de margens de lucro pressionadas, o setor privado agora exige do Palácio do Planalto soluções estruturais para os gargalos de infraestrutura portuária, segurança jurídica para competir com o avanço de concorrentes como o Vietnã e, principalmente, regras claras e celeridade na devolução de créditos tributários dentro do contexto da reforma tributária, evitando o estrangulamento do capital de giro das empresas que sustentam o agronegócio nacional.
Fonte: “Folha de S.Paulo”
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