A forte estiagem que atinge a região amazônica em 2026, intensificada pelos efeitos do fenômeno climático El Niño, provocou uma severa crise logística no transporte de cargas na Região Norte. Com a redução acentuada na profundidade dos principais rios da bacia amazônica, grandes embarcações comerciais enfrentam sérias restrições de calado. Para mitigar o risco de encalhes e garantir a continuidade da navegação, os armadores de navios e operadores portuários foram forçados a aliviar o peso de suas frotas, reduzindo drasticamente o volume de mercadorias transportado por viagem.
Como parte dessas medidas emergenciais, as empresas de transporte marítimo e cabotagem passaram a realizar o transbordo de contêineres e combustíveis em estruturas flutuantes e píeres temporários localizados em pontos estratégicos dos rios, como em Itacoatiara. Esse processo consiste em retirar parte do material dos grandes navios e transferi-lo para barcaças de menor porte, que necessitam de menos profundidade para navegar até o destino final. Estima-se que reduções de apenas dois metros no nível da água possam diminuir a capacidade de carregamento de um navio em até 35%, o que encarece os custos operacionais e eleva o preço do frete hidroviário na região. Adicionalmente, o setor produtivo enfrenta embates com órgãos reguladores devido à implementação de sobretaxas de emergência decorrentes da crise hídrica.
Diante do estrangulamento das principais hidrovias e da necessidade de evitar o desabastecimento de insumos essenciais para o Polo Industrial de Manaus (PIM), o mercado logístico registrou uma migração considerável de cargas para outros modais. O principal reflexo foi o aumento expressivo na procura pelo transporte aéreo. A concessionária responsável pelo Aeroporto Internacional de Manaus reportou uma elevação substancial na movimentação de mercadorias, impulsionando os terminais de carga aérea a adaptarem suas estruturas para suprir o gargalo dos rios. Para dar vazão à forte demanda, o setor obteve junto à Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) autorizações especiais para que cargueiros de frotas internacionais realizassem trechos domésticos complementares dentro do território brasileiro, uma manobra regulatória incomum adotada exclusivamente para garantir a circulação interna de bens essenciais durante a seca.







