Setor público consolidado registra déficit primário de R$ 50,172 bi em maio

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Foto: Reuters

Resultado refletiu um déficit do governo central de R$ 43,188 bilhões, um déficit de R$ 6,816 bilhões dos Estados e municípios e um déficit das estatais de R$ 168 milhões

(Valor) – O setor público consolidado fechou maio com déficit primário de R$ 50,172 bilhões, conforme divulgou o Banco Central (BC) nesta sexta-feira (30). Em maio do ano passado, o resultado havia sido deficitário em R$ 15,541 bilhões.
Os dados do setor público consolidado envolvem governo central (formado por Previdência e Tesouro, além do próprio BC), Estados, municípios e estatais. Ficam fora da conta empresas dos grupos Petrobras e Eletrobras, além de bancos públicos, como Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal.
O resultado de maio refletiu um déficit do governo central de R$ 43,188 bilhões e um déficit de R$ 6,816 bilhões dos Estados e municípios. As estatais tiveram déficit de R$ 168 milhões.

Em 12 meses até maio, por sua vez, o superávit alcançou R$ 39,23 bilhões, o equivalente a 0,38% do Produto Interno Bruto (PIB). Em abril, o superávit estava em 0,55% do PIB.
Além disso, no acumulado do ano, o governo registrou superávit de R$ 28,529 bilhões, contra superávit de R$ 115,500 bilhões no mesmo período de 2022.

A dívida líquida do setor público não financeiro variou de R$ 5,826 trilhões, ou 57,0% do PIB, em abril para R$ 5,936 trilhões, ou 57,8% do PIB, em maio.

De acordo com o BC, a variação mensal pode ser explicada por impactos dos juros nominais apropriados, que aumentou o montante em 0,7 ponto percentual, e do déficit primário, acrescentando 0,5 ponto.

Por outro lado, a desvalorização cambial de 1,9% no mês contribuiu para redução de 0,2 ponto e o efeito da variação do PIB nominal, com 0,3 ponto.

Já a dívida bruta dos governos no Brasil variou de R$ 7,457 trilhões em abril para R$ 7,664 trilhões em maio. Em relação ao PIB, a dívida subiu de 72,9% para 73,6%.

Para o BC, a variação mensal da dívida pode ser explicada principalmente por um impacto altista de 0,3 ponto percentual (pp.) do PIB relativo à emissão de dívida bruta,; altista em 0,7 pp relativo a juros nominais da dívida bruta; e altista de 0,1 relativo ao ajuste cambial. Do lado baixista, houve um impacto baixista de 0,4 pp. relativo ao crescimento nominal do PIB.

Nominal

O setor público consolidado registrou déficit nominal, que inclui despesas com juros, de R$ 119,226 bilhões em maio. Um ano antes, o resultado havia sido deficitário em R$ 65,971 bilhões.

O resultado nominal de maio refletiu um déficit primário de R$ 50,172 bilhões e uma conta de juros de R$ 69,053 bilhões.

Em 12 meses até maio, por sua vez, o déficit nominal alcançou R$ 656,549 bilhões, o equivalente a 6,39% do Produto Interno Bruto (PIB). Em abril, estava negativo em 5,90% do PIB. A conta de juros no mesmo período somou R$ 695,572 bilhões, ou 6,77% do PIB, vinda de 6,83% em abril.

Os dados não incluem empresas dos grupos Petrobras e Eletrobras. Os bancos estatais também não entram na conta, pois as estatísticas se referem ao setor público não financeiro.

Elasticidades das dívidas

O BC atualizou nesta sexta-feira as elasticidades das dívidas líquida e bruta do setor público a seus principais indexadores.

Para a dívida líquida, a desvalorização de 1% do câmbio leva a uma queda imediata de 0,08 ponto percentual do PIB, ou R$ 7,7 bilhões. Para cada aumento de 1 ponto percentual da Selic, mantida por 12 meses, há elevação da dívida de 0,42 ponto, ou R$ 42,9 bilhões. Já um aumento de 1 ponto na inflação, mantido por 12 meses, eleva a dívida em 0,17 ponto, ou R$ 17,4 bilhões.

No caso da dívida bruta, a desvalorização de 1% do câmbio gera alta imediata de 0,09 ponto, ou R$ 9,4 bilhões. Para cada elevação de 1 ponto da Selic, mantida por 12 meses, há aumento de 0,39 ponto da dívida, ou R$ 40,1 bilhões. Já cada aumento de 1 ponto na inflação, mantido por 12 meses, eleva a dívida em 0,17 ponto, ou R$ 17,2 bilhões.

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