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Sucessão de extremos de frio e calor trará tempestades e risco de ciclone

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(METSUL) – O clima será extremo na variação de temperatura no restante deste mês de agosto com picos de frio intenso e outros de muito calor até o final deste mês, antecipa a MetSul Meteorologia. Haverá uma grande alternância entre incursões de ar tropical e frio de origem polar durante as próximas duas a três semanas, agravando o risco de tempo severo.

Agosto é, tradicionalmente, marcado por estas oscilações térmicas grandes. O mês costuma ser de mudanças bruscas de temperatura no Sul do Brasil e não raro um dia tem forte calor e no seguinte faz muito frio. Historicamente, a segunda metade do mês no território gaúcho registra alguns dias de temperatura muito elevada e que em vários anos do passado atingiram marcas tão altas quanto 33ºC a 35ºC, o que deve ocorrer em 2023.

Uma massa de ar frio atua neste momento no Sul do país. O domingo começou com marcas negativas ou perto de 0ºC em muitas cidades gaúchas. Os termômetros indicaram 2,6ºC abaixo de zero em Soledade. Porto Alegre anotou 2ºC no extremo Sul da cidade. Em Santa Catarina, a temperatura desceu a 1,6ºC negativo em São Joaquim.

O frio ainda vai ser intenso no começo desta segunda no Rio Grande do Sul e Santa Catarina, e perde mais força a partir de terça, mas logo na sequência se espera o ingresso rápido de ar muito quente que vai elevar acentuadamente a temperatura. Já na tarde de terça se projeta máximas ao redor dos 30ºC no Noroeste gaúcho.

O ar muito quente vai tomar conta do Rio Grande do Sul na quarta e na quinta-feira, quando as tardes devem ser de muito calor com máximas de verão. Porto Alegre pode ter 30ºC na quarta e até 32ºC na quinta, mas no Noroeste e nos vales a temperatura subirá ainda mais com máximas de 33ºC a 34ºC ou até superiores.

Ocorre que na sexta o tempo já muda. Um ciclone extratropical pode se se formar entre sexta e sábado a Leste do Uruguai, formando uma frente fria que pode avançar por todo o Sul do Brasil com chuva e temporais. Esta frente, por efeito do ciclone, atingiria o Centro-Oeste e o Sudeste do Brasil na sequência com chuva no Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, São Paulo e Rio de Janeiro, além de áreas de Minas Gerais.

Algumas áreas que não registram chuva há semanas ou até meses podem vir a ter precipitação. O ciclone, então, deve impulsionar nova massa de ar frio para o Sul do Brasil no final desta semana com queda acentuada da temperatura e o retorno do frio mais intenso com vento e talvez precipitação invernal no próximo sábado.

Começará, assim, uma nova sequência de madrugadas frias e com geada, mas que outra vez vai ser curta. Incursões de ar frio em agosto não costumam durar muito e atuam por poucos dias na parte meridional do Brasil. Por isso, logo na sequência, entre os dias 21 e 22 de agosto, ar bastante quente rapidamente voltaria ao Sul do Brasil com acentuada elevação da temperatura e novamente tardes com as marcas nos termômetros mais típica de verão.

Só que o calor também duraria pouco. Entre os dias 23 e 24 de agosto, conforme os dados dos modelos de hoje, ingressaria uma nova frente fria seguida de ar polar que mais uma vez traria uma queda muito acentuada de temperatura e que se estenderia a vários pontos do Sudeste do Brasil.

Outra vez esta incursão de ar frio teria pouco duração, uma vez que nos últimos dias do mês haveria o ingresso novamente de ar muito quente a partir do Norte e o Nordeste da Argentina no Sul do Brasil com tardes de temperatura muito elevada e máximas mais comuns aos meses do verão.

Esta enorme alternância de massas de ar quente e frio nos próximos 15 a 20 dias no Sul do Brasil vai trazer uma atmosfera mais ativa em fenômenos. As transições de massas de ar vão se dar com a passagem de frente frias e, no caso do próximo fim de semana, com a possibilidade de um ciclone extratropical.

Ciclones se formam pelo encontro de massas de ar quente e frio, logo um período com grande alternância de massas de ar frio e quente acaba sendo propício para ciclogênese (formação de ciclones). Ademais, espera-se que nesta segunda metade de agosto o sinal de uma oscilação denominada de OMJ (Madden-Julian) atue nas longitudes da América do Sul, o que também favorece uma maior ciclogênese no Atlântico Sul.

O ciclone da massa de ar frio do próximo fim de semana se formaria mais perto do Uruguai e a Sudeste do Rio Grande do Sul, logo com maior potencial de trazer vento forte para o Sul do Brasil. Por sua vez, o ciclone associado ao ingresso do ar frio dos dias 23 e 24 se formaria mais ao Sul do Atlântico e com menor impacto no Sul brasileiro.

As frentes frias que fazem as transições do ar frio e quente, associadas aos ciclones, provocam chuva e temporais. Uma vez que tanto a frente dos dias 18 e 19 como a dos dias 23 e 24 devem ser precedidas por ar muito quente em sua dianteira, o risco será maior de tempestades na passagem dos dois sistemas frontais. Os temporais nestas duas frentes frias podem não apenas atingir o Sul do Brasil, mas também estados do Centro-Oeste e do Sudeste, notadamente o Mato Grosso do Sul e São Paulo, já que os sistemas frontais conseguiriam alcançar a parte central do Brasil, onde a atmosfera nesta época do ano é muito quente.

 

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