Probabilidade de El Niño elevado não significa “super evento”, alerta análise
Uma atualização recente sobre o chamado “super El Niño” indica que, embora os modelos internacionais apontem probabilidade elevada de ocorrência do fenômeno nos próximos meses, isso não significa, necessariamente, a formação de um evento extremo.
De acordo com projeção do IRI (Instituto Internacional de Pesquisa para Clima e Sociedade), a chance de El Niño atingir até 94% entre o segundo semestre e o início do próximo ano inclui diferentes intensidades — fraca, moderada e forte. A probabilidade de um evento acima de 2 °C, considerado “super El Niño”, é estimada em cerca de 23%, percentual inferior ao de eventos moderados ou fracos.
A análise destaca que a temperatura da superfície do mar, isoladamente, não determina os impactos climáticos. O fator decisivo é a resposta da atmosfera, medida pelo Índice de Oscilação Sul (IOS), que reflete a diferença de pressão entre o Pacífico central e a região da Austrália. Atualmente, o índice permanece positivo, indicando que a atmosfera ainda opera em padrão semelhante ao de La Niña.
Outro ponto levantado é a possibilidade de que o aquecimento observado em partes do Pacífico esteja relacionado a ondas internas geradas por terremotos recentes no Pacífico Norte, e não necessariamente à formação de um El Niño clássico.
O histórico mostra que eventos muito intensos estiveram associados a grandes erupções vulcânicas, como em 1982-83 e 1997-98. Diante desse cenário, a recomendação é manter monitoramento contínuo antes de concluir que um “super El Niño” está consolidado.
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