A soja busca sustentar a recuperação, puxada pelo óleo de soja, que segue como motor do complexo diante da expectativa por medidas favoráveis aos biocombustíveis nos EUA. No milho, a sustentação veio da liberação emergencial do E15, reforçando a leitura de demanda firme para etanol.
O mercado divide-se entre dois vetores: o suporte contínuo da pauta de biocombustíveis nos EUA e a percepção de que parte dessa notícia já pode estar precificada, elevando o risco de realização, especialmente no óleo de soja. Para o milho, a atenção se mantém na competitividade da demanda externa americana e nos fertilizantes, com preocupações logísticas e de oferta de nitrogenados no Oriente Médio.
No Brasil, a piora na relação de troca dos fertilizantes pesa, enquanto a segunda safra de milho é projetada em 114,5 milhões de toneladas, abaixo do ciclo anterior. A visita de Trump à China em maio reacende expectativas sobre negociações comerciais, com efeito positivo potencial para a soja e indireto para o milho.
No macro, tensões no Oriente Médio sustentam o petróleo acima de US$ 106/barril, influenciando o humor global e a tese de biocombustíveis, mas também reforçando temores inflacionários. A agenda acompanha auxílio-desemprego nos EUA, discursos do Fed, IPCA-15 no Brasil e Relatório de Política Monetária do Banco Central.
Leitura de mercado: no curto prazo, soja e milho são favorecidos por óleo firme, expectativa de biocombustíveis e sensibilidade ao petróleo. Porém, convivem com oferta abundante na América do Sul, risco de realização no óleo de soja e cenário macro mais defensivo. O tom segue construtivo, mas cauteloso, à espera de novas confirmações.





