O estado de São Paulo vive um cenário de calamidade pública após registrar o mês de setembro mais chuvoso de sua história moderna. Em apenas duas semanas, o volume de precipitação superou marcas históricas que já duravam mais de 80 anos, provocando inundações severas e isolando comunidades inteiras, especialmente na região do Vale do Ribeira.
De acordo com dados consolidados pelo Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), a estação oficial do Mirante de Santana, na capital paulista, contabilizou o acumulado recorde de 253,8 mm. O índice equivale a três vezes a média esperada para todo o mês (83,3 mm), quebrando o recorde absoluto anterior que pertencia ao ano de 1983. No interior e no litoral sul, a situação é ainda mais crítica: o município de Iguape atingiu o pico estadual com 331,2 mm acumulados.
Calamidade no Vale do Ribeira
O impacto do volume de água foi devastador no sul do estado. O governo de São Paulo decretou situação de emergência em seis municípios do Vale do Ribeira: Eldorado, Iporanga, Barra do Turvo, Sete Barras, Registro e Ribeira.
Em Eldorado, o Rio Ribeira de Iguape subiu mais de 10 metros, deixando cerca de 60% da área urbana submersa. A força das águas invadiu o hospital municipal, obrigando as equipes de resgate a transferirem os pacientes às pressas. Na zona rural, dezenas de comunidades quilombolas, indígenas e ribeirinhas continuam completamente ilhadas devido à queda de pontes e ao bloqueio de estradas vicinais. O abastecimento de água potável e mantimentos tem sido realizado por meio de barcos e aeronaves da Polícia Militar e da Defesa Civil.






