O jornal norte-americano The Wall Street Journal publicou um editorial com críticas à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Sob o título “Os mercados não votam em Lula”, o conselho editorial atribuiu a queda das ações brasileiras, a desvalorização do real e a turbulência no mercado de títulos públicos à vitória do petista sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), no segundo turno das eleições presidenciais deste domingo, 25.
A reação do mercado financeiro ocupa parte central do editorial. O principal índice da bolsa brasileira caiu 10% na abertura das negociações desta segunda-feira, o que provocou a suspensão temporária das operações. Depois da retomada, as perdas aumentaram, e o índice encerrou o pregão com recuo de quase 14%.
Os recibos de ações da Petrobras negociados no exterior, conhecidos como ADRs, perderam 14%, enquanto os do Itaú Unibanco recuaram 20%. O fundo de índice iShares MSCI Brazil (EWZ), que acompanha o desempenho de ações brasileiras, caiu 19,4%. O real perdeu 8,7% do valor em relação ao dólar. O Tesouro Nacional também cancelou os leilões de títulos públicos previstos .Para o conselho editorial do WSJ, a reação dos investidores está relacionada às perspectivas fiscais do país e à continuidade da política econômica de Lula, que assumirá o quarto mandato presidencial em janeiro de 2027.
O jornal descreve uma economia de US$ 2,6 trilhões que enfrenta dificuldades para crescer e preservar o poder de compra da população. O Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro avançou 2,3% em 2025 e, segundo as projeções citadas no editorial, poderá registrar expansão inferior a 2% em 2026.
A publicação considera esse ritmo insuficiente para reduzir a pobreza e critica os resultados econômicos acumulados durante os governos do Partido dos Trabalhadores. A legenda ocupou a Presidência da República por quase 18 dos últimos 24 anos. Nesse intervalo, 14 países ultrapassaram o Brasil em PIB per capita. Entre os exemplos mencionados estão República Dominicana, Guiana e Tailândia.
As críticas ultrapassam a política econômica. O Wall Street Journal também questiona a atuação do STF e afirma que decisões tomadas durante o processo eleitoral favoreceram o presidente reeleito.
O episódio destacado envolve o ministro Cristiano Zanin, que foi advogado de Lula antes de assumir uma cadeira no Supremo. O magistrado determinou, no domingo da eleição, a prorrogação da votação por duas horas, atendendo a um pedido da campanha petista. A decisão acabou posteriormente acatada pela Justiça Eleitoral.
A publicação também acusa o Supremo de exercer o poder de maneira arbitrária e afirma que a composição da Corte favorece o presidente. Na avaliação do jornal, a atuação dos ministros provoca insegurança institucional, percebida pelos investidores.
URL: https://revistaoeste.com/politica/wall-street-journal-ve-vitoria-de-lula-como-reves-para-o-brasil-e-alerta-para-crise-fiscal/







