Crise do Ueno Bank revela falhas no modelo econômico do Paraguai

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Assunção — O recente colapso do Ueno Bank desencadeou a maior turbulência financeira e política dos últimos anos no Paraguai. O episódio culminou na renúncia do presidente da República, Santiago Peña, e no avanço de um processo de impeachment no Congresso. Mais do que uma quebra institucional isolada, o caso expôs as profundas contradições de um modelo econômico que há anos alia forte atratividade ao capital estrangeiro com graves fragilidades regulatórias.
A rápida ascensão da instituição financeira, que chegou a concentrar as contas de 40% da população e a gerenciar cerca de US$ 850 milhões em recursos públicos, foi interrompida de forma abrupta. O Banco Central do Paraguai (BCP) decretou a resolução do banco após constatar uma situação extrema de falta de liquidez e insolvência. Auditorias subsequentes revelaram fraudes graves, incluindo empréstimos milionários a empresas de fachada ligadas aos próprios controladores e triangulações contábeis fraudulentas concebidas para ocultar uma carteira de créditos inadimplentes avaliada em US$ 74,4 milhões.
Para analistas econômicos, a crise joga luz sobre as falhas estruturais do modelo paraguaio. O sistema tributário conhecido como “triple 10” — que fixa alíquotas máximas de 10% para os principais impostos — sempre foi o principal chamariz para investidores internacionais, mas passou a ser questionado por restringir drasticamente o orçamento estatal destinado à fiscalização e à infraestrutura. Essa fragilidade fiscal soma-se a um mercado de trabalho com mais de 60% de informalidade, o que eleva a vulnerabilidade social em momentos de quebra bancária. Atualmente, milhares de cidadãos enfrentam agências fechadas, contas bloqueadas e incertezas sobre o ressarcimento de seus depósitos

Fonte: “Folha de S.Paulo”

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